"Sonhos", ele disse uma vez, " *****

 

"Paul Anka tinha apenas quinze anos quando tomou uma das decisões mais ousadas da história da música: mentiu para conseguir um dos maiores contratos da América. Ele não era apenas um sonhador de Ottawa; era um garoto que não aceitava a palavra "não".

Certa noite, ele disse aos pais que ficaria na casa de um amigo, mas isso era mentira. Com cem dólares no bolso e um sonho ardente no coração, ele pegou um ônibus da Greyhound e foi para Nova York, em busca de uma fantasia que a maioria dos adultos chamaria de loucura. Na sua mala, havia uma gravação demo feita às pressas no porão de uma igreja.

"Eu não tinha conexões", ele lembraria mais tarde, "mas eu tinha uma canção e a coragem de cantá-la."

Na porta do estúdio da ABC-Paramount Records, ele esperou por horas, faminto, nervoso, mas inabalável. Quando o zelador finalmente abriu a porta, Anka entrou e foi direto ao escritório do diretor. Olhando nos olhos dele, disse: "Você ainda não me conhece, mas logo vai conhecer. Eu sou a próxima grande estrela."

Com as mãos trêmulas, mas com uma voz irresistível, ele cantou "Diana", uma canção sobre uma garota mais velha que nunca lhe deu atenção.

Quando a última nota soou, o silêncio tomou conta da sala. O produtor se inclinou para frente e disse calmamente: "Rapaz, você tem algo especial."

Algumas semanas depois, "Diana" explodiu nas paradas de sucesso, vendeu milhões de cópias e fez de Paul Anka uma estrela antes mesmo de ele aprender a dirigir. Multidões gritavam seu nome, câmeras o seguiam por toda parte. Frank Sinatra o chamava de "o garoto com nervos de aço". Mas Paul não perseguia a fama, ele a estudava. Ele lia cada contrato, aprendia cada truque e construiu uma carreira que durou muito além da juventude.

Quando Elvis Presley morreu, foi Anka quem deu a Sinatra a música que se tornou o hino de uma geração, "My Way". Décadas depois, Michael Jackson gravou outra de suas criações, "This Is It".

Paul Anka começou como um garoto tímido, cantando para uma garota que não se importava com ele, e se tornou o homem que deu as últimas palavras às lendas. "Sonhos", ele disse uma vez, "não se realizam porque você espera por eles. Eles se realizam porque você os desafia."


Alfredo Heringer

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