"Tem dias que a gente esbarra numa foto antiga no celular e sente uma pontada aguda no meio do peito. Não é saudade de um amor ou dos velhos amigos que sumiram. É saudade da pessoa que está ali na imagem sorrindo de um jeito leve que você não consegue mais imitar na frente do espelho. Aquela versão sua não sabia o quanto a vida adulta ia cobrar caro. Ela confiava nas pessoas e tinha uma ingenuidade bonita que a rotina e as decepções fizeram questão de destruir. Você olha para aquela foto e percebe que sobreviveu a muita coisa mas o preço da sobrevivência foi perder o brilho genuíno nos olhos. Ninguém nota a sua mudança porque você continua sendo prestativa e eficiente o tempo inteiro. Mas por dentro você sabe que se tornou uma versão blindada e cautelosa de si mesma apenas para conseguir lidar com as pancadas sem sangrar."

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