Quando voltares ***

 Sofres pedindo alívio e inebrias-te na oração, como quem sobe ao Céu pela escada

sublime da bênção...

Rogas a presença do Cristo.

Todavia, não encontras o Mestre, diante de quem te prostrarias de rastros.

Sabes porém, que nas Alturas os Braços Eternos te sustentam a vida e, enquanto te

enterneces na melodia da confiança, sentes que tua alma se coroa de luz, ao fulgor das

estrelas.

Suplicas, em prece, a própria felicidade e a felicidade dos que mais amas, obtendo

consolo e refazendo energias...

Contudo, quando voltares da divina excursão que fazes em pensamento, desce

teus olhos no vale dos que padecem.

Surpreenderás aqueles para quem leve migalha de teu conforto expressará

sempre, de algum modo, a aquisição da perfeita alegria.

Os mutilados em pranto oculto, os enfermos deixados aos pesadelos da noite, os

infelizes em desespero e os pequeninos que se amontoam ante o lar de ninguém...

Descobrindo-os, decerto não lhes alongarás apenas o olhar dorido, mas também as

próprias mãos, aprendendo a redentora ciência de auxiliar.

Compreenderás então que podes igualmente distribuir na Terra o tesouro de amor

que imploras do Céu e, quem sabe?...

Talvez hoje mesmo, penetrando o quarto sem lume de algum doente que o mundo

esqueceu no catre da angústia, encontrarás o Senhor, velando-lhe as horas, a dizer-te com

ternura inefável:

– “Para que me chamaste? Eu estou aqui.”

Meimei

Comentários