A Cruz e a Dignidade - Momento Espírita ✨¨¨

 Em uma passagem evangélica, Jesus disse que quem quisesse ir após ele, deveria tomar sua cruz, renunciar a si mesmo e segui-lO.


Esse convite sinaliza que o processo de sublimação do próprio ser é trabalhoso.


A conquista da dignidade espiritual pressupõe o abandono de antigos vícios e a conquista de variadas virtudes.


Também implica a quitação de velhas contas, oriundas de crimes cometidos contra as leis cósmicas.


O Espírito em evolução precisa aprender a renunciar a seus hábitos tristes e a suas concepções equivocadas de vida, para se tornar puro e fraterno.


A vida lhe propicia todas as condições para que se erga rumo ao seu destino glorioso.


As penosas injunções da existência material são uma bênção.


No lento processo de vivenciar e se desiludir das coisas do mundo, a alma passa a prestar atenção no que realmente importa.


Compreende que a aparência física é muito transitória.


Que o dinheiro muda rapidamente de mãos.


Que a saúde oscila e se fragiliza com o passar dos anos.


Que os amores mais caros vão para longe ou desencarnam.


Lentamente, ela compreende a transitoriedade de tudo o que a rodeia.


E entende que o primordial reside em seu íntimo.


Que a paz da consciência, fruto de um viver digno, é o que de bom a acompanhará para sempre.


Esse processo é lento e doloroso.


Ele representa a cruz a ser levada.


Ocorre que, em um mundo amplamente materializado como a Terra, todos sofrem.


Não há ninguém que deixe de adoecer ou de morrer.


Todos passam pela experiência da desencarnação de seres amados.


Certamente não está a seguir o Cristo quem se revolta por tudo e por nada.


Conclui-se que não basta levar a própria cruz.


É preciso levá-la com dignidade, talvez até com alguma elegância.


Há quem espalhe pelo mundo o rancor por suas dores.


Com suas reclamações, inferniza a vida dos outros.


Acha que todos têm o dever de ajudá-lo e exige que o façam.


Porque enfrenta dificuldades, trata mal o semelhante.


Justifica seu comportamento infeliz com as dores que vivencia.


Entretanto, todos sofrem, em maior ou menor grau.


Apenas alguns o fazem com mais elegância.


Têm o cuidado de não infelicitar o próximo e praticam a caridade da paz.


Entendem que a cruz é deles, não da coletividade.


Quando necessário e possível, buscam e aceitam auxílio.


Mas sem imposições, reclamações ou rebeldia.


Assim, reflita que as injunções penosas de sua vida têm um propósito superior.


Elas se destinam a promover sua pacificação interior e efetivamente o fazem, se bem suportadas.


Mas de pouco adiantarão se você se desequilibrar e se tornar causa de angústia na vida do semelhante.


Para que a experiência seja válida, é preciso vivê-la com dignidade.


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