Emmanuel
Tema – Necessidade da compaixão em qualquer julgamento
Viste o malfeitor que a opinião pública apedrejava e anotaste os comentários
ferinos de muita gente... Ele terá sido mostrado nas colunas da imprensa por celerado
invulgar de que o mundo abomina a presença; entretanto, alguém lhe estudou a face
esquecida de sofredor e observou que ninguém, até hoje, lhe ofertou na existência o
mínimo ensejo de ser amado, a fim de acordar para o serviço do bem.
Soubeste que certa mulher caiu em desequilíbrio, diante de círculos sociais que
fizeram pesar sobre ela a própria condenação... Alguém, todavia, lhe enxergou a face
oculta e leu nela, inscrita a fogo de aflição, a história das lutas terríveis que a acusada
sustentou com a necessidade, sem que ninguém lhe estendesse mãos amigas, nas
longas noites de tentação.
Percebeste a diferença do companheiro que se afastou do trabalho de burilamento
moral em que persistes, censurado por muitos irmãos inadvertidamente aliados a todos
os críticos que o situam entre os tipos mais baixos de covardia... Alguém, contudo,
analisou-lhe a face ignorada, mil vezes batida pelas pancadas da ingratidão, e verificou
que ninguém apareceu nos dias de angústia para lenir-lhe o coração, ilhado no
desespero.
Tiveste notícia do viciado, socorrido pela polícia, e escutastes os conceitos irônicos
daqueles que o abandonaram à própria sorte... No entanto, alguém lhe examinou a face
desconhecida de criatura a quem se negou a bênção do trabalho ou do afeto e
reconheceu que ninguém o ajudou a libertar-se da revolta e da obsessão.
Quando estiveres identificando as chagas do próximo, recorda que alguém está
marcando as causas que as produziram.
Esse alguém é o Senhor que vê o que não vemos.
Onde o mal se destaque, faze o bem que puderes.
Onde o ódio se agite, menciona o amor.
Em toda parte, e acima de tudo, pensemos sempre na infinita misericórdia de
Deus, que reserva apenas um Sol para garantir a face clara da Terra, durante as horas
de luz, em louvor do dia, mas acende milhares de sóis, em forma de estrelas, para
guardar a face obscura do Planeta, durante as horas de sombra, em auxílio da noite,
para que ela jamais se renda, ao poder das trevas.
EMMANUEL/F C XAVIER
Comentários
Postar um comentário