A vida prossegue em uma dimensão ainda mais exuberante do que a terrena ***

 

Aos 19 anos, a vida de Roberto Muszkat foi interrompida de forma abrupta após uma parada cardíaca causada por uma reação a um medicamento tópico. A morte inesperada deixou seus pais, Sônia e o médico David Muszkat, profundamente desolados. Movidos pela saudade, eles buscaram o médium Chico Xavier em Uberaba, na esperança de receber notícias do filho.
A segunda carta psicografada por Chico em nome de Roberto tornou-se uma evidência marcante da continuidade da vida. O texto continha diversos termos em hebraico e referências a costumes judaicos que o médium desconhecia. Para que o público presente no Grupo Espírita da Prece pudesse compreender a mensagem, o próprio Dr. David precisou auxiliar Chico na pronúncia e na explicação dos significados.
Um dos pontos mais emocionantes foi quando Roberto mencionou seu avô, Moysés Aron, já falecido. O jovem descreveu sua chegada ao mundo espiritual, onde foi acolhido pelo avô e pela avó, Rachel, logo após o seu desencarne em março de 1979. Ele relatou ter participado, no plano espiritual, da cerimônia do *Seder* — o jantar que marca o início da Páscoa judaica —, uma celebração que coincidia com a época de sua partida.
Além disso, Roberto descreveu com detalhes o local onde habitava: a "Cidade dos Profetas", situada em uma região espiritual ligada a *Erets* Israel, um lugar de luz reservado aos que sofreram perseguições e martírios por sua fé ao longo da história. Para consolar os pais e irmãos, o jovem utilizou uma passagem bíblica do livro de Rute — "Onde fores, também irei..." — reafirmando que, apesar da separação física imposta pela morte, o laço de união entre eles permanecia inquebrável.
O relato, intermediado pela mediunidade de Chico Xavier, serviu como uma prova contundente de que a vida prossegue em uma dimensão ainda mais exuberante do que a terrena, oferecendo conforto e uma oportunidade de reflexão sobre a imortalidade da alma.
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Veja uma das cartas psicografadas pelo jovem 👇
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Querida mãezinha Sonia, que a paz esteja em nós.
Enfim, algumas palavras. Tantos dias de ansiedade... Mamãe, não chore mais. Estou bem. A vida na Terra apresenta pontos finais em quaisquer trechos; as existências são como as páginas no livro do tempo. Algumas são curtas, tão curtas que terminam com pontos de interrogação. Será este o meu caso? Tempo virá em que conheceremos com mais segurança as causas dos problemas graves que chegam de improviso.
Rogo-lhe calma. Idêntico pedido endereço ao papai David. Não se culpe, querida mãezinha, por havermos escolhido o tempo favorável à intervenção de que me reconhecia necessitado. Se o seu coração querido opinasse contra, eu teria lutado para obter-lhe a aprovação — e conseguiria. O nosso amigo Dr. Rezende fez o máximo em meu benefício (1).
Sinto muito haver deixado na família e no círculo dos amigos tantas opiniões contraditórias. Não pensem que um simples descongestionante das vias nasais me impusesse o desenlace (2). O corpo trazia o "motor" estragado. Era um corpo jovem; no entanto, quando compreendi a situação com mais clareza, percebi que eu estava usando um instrumento cujas cordas essenciais jaziam quase inválidas.
Por aí, mãezinha, conquanto os avanços da Cardiologia, muita gente acredita que a figura de atleta é documento de isenção para o ato final da experiência humana. Mas os enganos são muitos nesse sentido. Coronárias como que se quebram ou se retraem num momento, e a fibrilação do "músculo-rei" se faz acompanhar, de imediato, pelo despejo do dono ou usufrutuário da casa corpórea em que se vive na área dos homens.
Pois foi o que sucedeu. Com intervenção ou sem intervenção, aquele foi o momento da ordem de regresso. Lamento que dúvidas pairassem sobre o problema, no entanto, venho pedir-lhe serenidade e conformação. Lembrem-se, o papai e seu carinho maternal, que temos o Ricardo, o Renato, a Rosana, a Rachel e o Moises por nossos queridos acompanhantes. Espero que deixem de lado a tristeza negativa para facearmos a realidade com espírito de compreensão.
Minha transposição de plano foi rápida: um desmaio, um sono invencível, um tempo indefinido de quase inconsciência total com pesadelos que se referiam à separação e, depois, o despertar. Despertar molhado de lágrimas, porque me foi impossível não chorar com o sofrimento de seu carinho e com as lutas e perguntas de todos de nossa casa e de nossa família.
A princípio, julguei que houvesse voltado ao hospital para qualquer corrigenda; entretanto, essa ilusão perdurou por pouco tempo. Em meio a enfermeiros e médicos que se mostravam amigos, reconheci a presença da vovó Rachel (3), que parecia desejar substituí-la junto de mim. A vovó explicou-me com doçura as verdades novas a que procurei me adaptar. Naturalmente, a saudade de casa era um espinho cravado na raiz do sorriso de conformação que me via impelido a sustentar, e os dias se passaram.
Tenho ouvido as suas preces e as suas reflexões, especialmente as que a sua dedicação formula ao recordar-me a presença. E posso dizer-lhe que a vida continua. As limitações são muitas para o intercâmbio. Naturalmente, é compreensível que eu tenha prometido, por exemplo, ao vovô Moszek Aron (4) e a outros amigos dele que me acolheram, que escreveria sem criar qualquer quadro menos feliz. Estou aqui na condição do aluno que prometeu não chorar nem lastimar-se na prova de competência, e devo fazer isso da melhor maneira.
Estou procurando meios de retomar meus estudos, porquanto aqui não nos faltam recursos para isso, e desejo dedicar-me ao amparo dos doentes no mundo por muito tempo, especialmente para estar mais perto de sua presença, de meu pai e dos meus irmãos. É justo que assim faça e conto com o seu apoio. Seu apoio e a assistência de meu pai se constituem da paz e da conformação com que aceitem, comigo, os fatos consumados.
Meu vovô Moszek já me esclareceu que meu tempo deveria ser curto e estou satisfeito. Mais tarde, cogitarei saber o porquê dessa duração assim ligeira. Descobriremos as razões de toda a ocorrência, porque Deus é o Senhor Eterno e, ao escrever o Santo Nome, tenho o meu coração repleto de confiança na Lei.
Mãezinha, auxilie-me com a sua paciência e considere-me vivo, porque a verdade é que prossigo na mesma personalidade de filho agradecido, sem que fenômeno algum desfigurasse o amor e o devotamento aos pais queridos e ao abençoado lar em que nasci.
Muitas lembranças a todos, com um grande abraço ao meu pai. Se conseguirmos instalar no formoso coração dele, pelo menos, um pouco de esperança e certeza em minha sobrevivência, estarei satisfeito.
E com o carinho da vovó Rachel, que me auxilia a escrever, entrego-lhe todo o coração de seu filho,
ROBERTO MUSZKAT
10 de agosto de 1979
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**Notas explicativas do texto original:**
(1) Refere-se ao otorrinolaringologista que operara Roberto. Segundo o relato, não houve vínculo causal entre a cirurgia e o incidente.
(2) Roberto faleceu vitimado por um choque anafilático após a instilação de um tópico nasal, três dias após a cirurgia, quando já estava em casa.
(3) Rachel Golcman, avó materna, falecida em 16 de dezembro de 1957.

(4) Moszek Aron Muszkat, avó paterno, falecido em 28 de janeiro de 1966.



Post de Chico - Cartas de Paz e Consolação

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