AFLIÇÕES 2 ***

 Emmanuel 

Temos aqueles que choram por se sentirem inibidos para a extensão 

do mal... 

Há quem se torture por não conseguir vingar-se. 

Existem os que se declaram infelizes com a prosperidade do próximo 

e se enfurecem com a impossibilidade de lhes ultrapassar o progresso 

econômico ou espiritual 

Aparecem aqueles que se afirmam desditosos por não poderem 

competir com o luxo de quem se confia à extravagância e à loucura.  

Surgem muitos em lágrimas de inveja e despeito, à frente dos 

vizinhos, interessados na educação e na melhoria da vida. 

Há quem se revolte contra as bênçãos do trabalho e vocifera em 

desfavor da ordem que lhe assegura as vantagens da disciplina. 

Muitos exibem chagas de inconformação, ante o sofrimento que eles 

próprios improvisaram. 

Há infinitos gêneros de aflição no vasto caminho da vida. 

      E, 

por isso, nem todos os aflitos podem ser aquinhoados com a 

glória da bem-aventurança. 

A palavra do Cristo se dirige àqueles que fizeram da dor um 

instrumento para a elevação de si mesmos, assim como o artista se 

vale da pedra, a fim de burilar a obra prima de estatuária. 

Acautela-te, se conservas alguma aflição particular. 

A angústia, muitas vezes, pode ser antecâmara do desequilíbrio. 



  Converte o teu problema ou a tua mágoa em motivo de 

superação das próprias fraquezas, à maneira do lidador que aproveita 

o obstáculo para atingir os seus mais altos objetivos,   e então terás 

convertido as inquietações do mundo em bem-aventuranças para a 

felicidade sem fim. 

Do livro Instrumentos do Tempo. Psicografia de Francisco Cândido 

Xavier. 

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