Emmanuel
Rogando amparo ao Senhor, não olvides a prestação de amparo a ti
mesmo.
Deus confere ao lavrador a luz do sol, a bênção da chuva e o fator do
vento, mas não lhe dispensa o próprio suor, no trato da sementeira,
para que a colheita lhe surja às mãos por recurso divino.
Concede ao artista o mármore bruto, o buril e a inspiração generosa;
entretanto, não o exonera do próprio labor na consecução da obra
prima.
Pedirás o concurso do Céu em teu benefício; entretanto, de que
valeria a bênção do Alto, se te consagras, deliberadamente, ao
menosprezo da própria vida?
O médico mais competente nada conseguirá na assistência ao
enfermo que não deseja curar-se e o professor mais exímio nada
alcançara do aluno que foge sistematicamente à lição.
Não basta rogar alguém auxílio para que se veja auxiliado com
segurança.
É imprescindível o senso de responsabilidade de viver para que as
vantagens da existência nos engrandeçam o espírito.
A oração será sempre o desejo expresso, exigindo esforço próprio, a
fim de concretizar-se.
Lembremo-nos de que um edifício não se ergue do solo tão-somente
pela beleza e pelo merecimento da planta.
A prece que nos exterioriza o anseio de progresso e de luz é o projeto
louvável de nossa melhor esperança, mas se em verdade
pretendemos chegar ao progresso e à luz, que anelamos
ardentemente, é preciso nos disponhamos a lutar e sofrer, trabalhar
e servir na construção de nosso ideal.
Ajudemo-nos cada dia para que o Céu nos ajude com o devido
proveito, de vez que o Céu ajuda sempre mas nem sempre sabemos
aquilo que procuramos para fixar em nosso caminho a incessante
ajuda celestial.
Do livro Instrumentos do Tempo. Psicografia de Francisco Candido
Xavier.
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