Não há lugar em que nos vejamos sem algum benefício a
prestar ou alguma coisa a fazer.
Seja qual for a circunstância da estrada, aí encontramos a
ocasião precisa para realizar o melhor.
Por isso mesmo, o tempo é o prodigioso indicador,
descerrando-nos situações inesperadas ao dom de compreender e de
auxiliar.
Ainda mesmo nas trilhas mais obscuras da prova ou da aflição,
somos defrontados por ensejos valiosos e renovação e progresso.
Se te vês, diante de rotinas deterioradas, conquanto a rotina seja
abençoada escola de formação espiritual, é necessário reflitas nas
possibilidades novas que se te descortinam à existência.
Se obstáculos te surgem, amontoados na senda reconsidera as
próprias atitudes e observa que haverá chegado o instante para mais
algo aproveitamento de teus recursos, nos domínios da expressão de
ti mesmo, ante a seara do mundo.
Imagina o que seria a experiência na Terra sem a lei da
mudança.
Se a semente não fosse atirada à solidão, no seio da gleba, e
se as árvores não renunciassem à posse dos próprios frutos,
impossível seria acalentar a vida planetária. Se a infância não
marchasse para a juventude e se a juventude não se dirigisse para a
madureza, a evolução humana resultaria impraticável.
Quando te reconheças à bica do desespero ou do desânimo,
ergue-te sobre os motivos de tristeza ou desalento e contempla os
quadros da natureza em torno. Novos minutos se despencam do
coração das horas em teu benefício, dezenas e centenas de criaturas aparecem por todos os flancos, a te endereçarem sorrisos de
esperança, tarefas múltiplas te pedem devotamento e os dias sempre
renovados te apontam o Céu, de horizonte a horizonte, como sendo
imensa porta libertadora, a Sabedoria do Senhor te convida sem
palavras a recomeçar e progredir, trabalhar e viver.
Extraída do livro Instrumentos do Tempo. Psicografia de Francisco
Cândido
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