Emmanuel
Tema – Meditação ante os que partiram
Não te encerres no passado, com a suposição de honrar a vida. Cada tempo da
criatura na Terra se caracteriza por determinada grandeza, que não será lícito falsear. A
infância tem a suavidade da semente que germina; a juventude guarda o encanto da
flor que desabrocha e a madureza apresenta a glória tranqüila da árvore frutescente.
Não julgues que ames a alguém sem que lhe compreendas as necessidades de
cada período da existência. A isso nos reportamos a fim de que ajudes positivamente
aos seres queridos que te precederam na grande romagem da desencarnação. Sem
dúvida, agradecem eles o carinho com que lhe conservas o retrato da forma física
ultrapassada; contudo, ser-te-ão muito mais reconhecidos sempre que lhes reconstituas
a presença através de algum ato de bondade a favor de alguém, cuja memória
agradecida lhes recorde o semblante em momentos de alegria e de amor, que nem
sempre no mundo puderam cultivar.
Decerto, sensibilizam-se ante a flor que lhes ofertas às cinzas, mas se regozijam
muito mais com o socorro que faças a quem sofre, doado em nome deles, pelo qual se
sentem mais atuantes e mais vivos, junto daqueles que ficaram...
Quando mentalizes os supostos desaparecidos na voragem da morte, pensa neles
do ponto de vista da imortalidade e do progresso. Um coração materno tem o direito de
guardar por relíquias as roupas enfeitadas e curtas dos filhinhos que acalentou no berço,
mas seria loucura impor-lhes a obrigação de usá-las, depois de homens feitos, sob o
pretexto de que somente assim lhe retribuirão devotamento e ternura.
Reverencia aqueles que partiram na direção da Vida Maior, mas converte saudade e
pesar em esperança e serviço ao próximo, trabalhando com eles e por eles, em termos
de confiança e reconforto, bondade e união, porquanto eles todos, acima de tudo, são
companheiros renovados e ativos, aos quais fatalmente, um dia, te reunirás.
EMMANUEL/F C XAVIER
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