sábado, 22 de setembro de 2012

ADOLESCÊNCIA, IDADE CRÍTICA? CRISE DE IDENTIDADE

Na adolescência, a conquista da identidade é muito relevante e
relativamente complexa.
Fase de mudanças sob todos os aspectos, ao jovem parece confuso
distinguir qual, quem ou como é o verdadeiro eu. Igualmente, diante de tantos
papéis a desempenhar na sociedade, é por ele iniciada uma busca na tentativa
de encontrar a sua identidade no conjunto, aquela que melhor se ajuste à sua
escala de conceitos.
A identidade é o resultado dos valores que facultam a percepção do eu,
separado e diferente de todos os demais, que esteja em equilíbrio e continue
integrado, permanecendo, através dos tempos, como sendo o mesmo,
podendo ser conhecido pelas demais pessoas e descobrindo como os outros
são, o que constitui senso global de caracterização do ego.
Quaisquer influências que prejudiquem esta autopercepção geram

confusão de identidade, problemas para conseguir a participação, a integração
e o prosseguimento da construção da auto-imagem.
O conceito de identidade varia de povo para povo, diferindo muito o dos
orientais em relação aos ocidentais, em razão das diferentes culturas e
heranças históricas. Em todas elas, no entanto, a pessoa deve perceber-se
consistente, distinta, e até certo ponto independente das demais.
No período da adolescência essa busca se torna afugente, porque o
jovem se preocupa muito com a aparência, em relação ao que os outros
pensam, de certo modo rompendo com o passado e definindo os rumos do
futuro. Surgem, então, as identidades individual e grupal ou coletiva. A
depender do estado psicológico do adolescente, ele pode destacar-se,
surgindo com os seus caracteres próprios, ou perder-se no grupo,
identificando-se com a maneira massiva de apresentação, normalmente como
rebeldia contra o status.
Para conseguir a sua identidade individual, pessoal, o jovem depende
muito das suas possibilidades cognitivas, que lhe apresentam os recursos de
diferenciação dos demais e lhe oferecem as resistências para empreender a
tarefa de fixação desses valores num todo harmônico, desenvolvendo os seus
comprometimentos pessoais, sexuais, ocupacionais, culturais, etc.
Há, naturalmente, muitos impedimentos para que esse fenômeno
aconteça com o êxito que será de desejar. Um deles é a interrupção do
processo de construção da identidade, que pode acontecer de forma a definir,
prematuramente, a auto-imagem, que irá perturbar a caracterização de outros
valores e recursos que trabalham pela autodefinição, pela auto-realização. A
sua escala de compreensão é deficiente e se estrutura na maneira pela qual os
outros o vêm, permitindo-se ceder ante pressões, tornando-se assim pessoaespelho,
a refletir outras imagens que não o seu próprio si.
Quase sempre, o jovem que sofre esse tipo de impedimento, encontra
nos pais, especialmente no genitor, quando do sexo masculino e, na mãe,
quando do sexo feminino, uma identificação muito forte que o impede de ser
livre, não sabendo responder adequadamente quando confrontado com
deveres desafiadores, atividades exigentes e comportamentos inesperados.
Outros, também confrontados com os problemas e desafios das
mudanças que neles se operam, perdem o senso de identidade, não se
libertando das vinculações anteriores, não conseguindo encontrar-se, ou
desligando-se da família, do grupo social, do país, e sendo vítima de uma
adaptação enferma, que se prolonga indefinidamente, sem capacidade para
relacionamentos duradouros, para atitudes normais, para as expressões de
lealdade e de afeição.
Muitas vezes, esse conflito, essa dificuldade de identificação, pode
oferecer maior maturidade ao jovem, no futuro, porque trabalha em favor da
sua seleção de valores e de conteúdos, adquirindo maior capacidade criativa,
melhor maneira de elaborar idéias e de caracterizar definições, do que os
outros que precipitadamente se firmaram em determinados quesitos que
elegeram como forma de identidade.
Os jovens, igualmente experimentam dificuldade em estabelecer os
padrões que a constituem, e esses variam muito de acordo com os
relacionamentos domésticos — valores religiosos, familiares, sociais,
econômicos — culturais e subculturais e mesmo as constantes mudanças
sociais, que trabalham conteúdos diferentes.
Alguma confusão, portanto, nesse período, pode redundar saudável para
a formação da identidade do adolescente, sem o exagero de um transtorno
prolongado.
Outro fator que merece análise é o da identidade sexual. Há jovens que
logo definem e aceitam a sua natureza essencial, masculina ou feminina.
Nessa oportunidade surgem os conflitos mais fortes do transexualismo e do
homossexualismo, alguns deles como resultado de fatores genéticos,
trabalhados pelo Espírito na constituição do corpo através da reencarnação,
que se utilizou do perispírito para a modelagem da forma orgânica, outros
como efeito da conduta familiar ou social, e, outros mais, ainda, pela
necessidade de ser trabalhada a sexualidade como diretriz preponderante para
a aquisição de recursos mais elevados e difíceis de serem conquistados.
Quando essa identidade sexual é prematura, o adolescente sofre de um
efeito apenas biológico, sem preparação psicológica para o comportamento
algo estressante. Quando atrasada, reações igualmente psicológicas podem
levar a uma hostilidade ao próprio corpo como ao dos outros.
A identificação sexual do indivíduo equilibrado faz-se definir quando se
harmonizam a expressão biológica —anatômica — com a psicológica,
expressando-se de forma natural e progressiva, sem os choques da incerteza
ou da incapacidade comportamental diante da realidade do fenômeno sexual.
Uma identidade amadurecida faculta-lhe uma boa dose de auto-estima,
de tolerância em relação às demais pessoas, de afetividade sem prejuízos
emocionais, de comportamento sem estereótipo, de lucidez que facilita
enfrentar desafios com naturalidade.
Assim, a adolescência é uma idade crítica, no que diz respeito ao
processo de adaptação e definição de conceito, de comportamento, de
realidade.
Para o adolescente, o mundo parece hostil, agressivo, com padrões
difíceis de ser alcançados, e que o ameaçam.
Sentindo-se diferente das demais pessoas, luta, interiormente, para
reconhecer como agir e quais os recursos de que dispõe, para colocar a
serviço da sua realização pessoal. Por outro lado, muitas culturas consideram o
jovem como um rebelde, egoísta, agressivo, equipando-se de conceitos que
exigem do jovem submissão e dependência, dificultando-lhe o acesso a
oportunidades de trabalho, de criação, de realização pessoal, porque ainda não
está definido, nem possui experiência... Convenha-se que experiência é
resultado da habilidade adquirida mediante o desempenho do trabalho, e
somente será conseguida se for facultada a oportunidade de realização.
Esse choque entre o velho e o novo constitui desafio para ambos se
afinarem, adaptando-se o jovem ao contexto social, sem abdicação dos seus
valores, como também da inútil luta agressiva contra o que depara, porém
trabalhando para a mudança dos paradigmas; e ao adulto cabe a aceitação de
que a vida é uma constante renovação e ininterrupta mudança, rica de
transformação de conceitos que avançam para o sentido ético elevado e
libertador, no qual as criaturas se encontrarão felizes e unidas.