"Este era o conhecimento que o grande Buda desejava transmitir aos homens, e ele o fez na forma do que é conhecido como "Caminho Óctuplo". Lá ele indica as capacidades e qualidades que o homem deve desenvolver a fim de atingir, no presente ciclo da evolução humana, um conhecimento que não seja influenciado pelos nascimentos sempre recorrentes. Assim, pelo poder que ele mesmo adquiriu, Buda elevou sua alma às alturas atingíveis por meio das forças mais fortes do corpo astral, e no "Caminho Óctuplo" ele mostrou à humanidade o caminho para um tipo de conhecimento não influenciado por Samskara. Ele descreveu o caminho da seguinte maneira:
- O homem obtém esse tipo de conhecimento sobre o mundo quando adquire uma visão correta das coisas, uma visão que nada tem a ver com simpatia, antipatia ou preferência de qualquer tipo. Ele deve se esforçar o melhor que puder para adquirir a visão correta de cada coisa, puramente de acordo com o que se apresenta a ele externamente. Esse é o primeiro princípio: a visão correta das coisas.
- Em segundo lugar, o homem deve se tornar independente do que restou de encarnações anteriores; ele também deve se esforçar para julgar de acordo com sua visão correta de cada coisa e não ser influenciado por quaisquer outras influências. Assim, o julgamento correto é o segundo princípio.
- A terceira é que ele deve se esforçar para dar verdadeira expressão ao que deseja comunicar ao mundo, tendo primeiro adquirido a visão correta e o julgamento correto a respeito; não apenas suas palavras, mas toda manifestação de seu ser deve expressar sua própria visão correta - isso e somente isso. Este é um discurso correto.
- O quarto princípio é que o homem deve se esforçar para agir, não de acordo com suas simpatias e antipatias, não de acordo com as forças sombrias do Samskara dentro dele, mas de tal maneira que permita que seu entendimento correto, julgamento correto e linguagem correta se tornem ações. Esta é a ação correta.
- O quinto princípio, capacitando o homem a se libertar do que está dentro dele, é que ele deve adquirir a vocação e posição corretas no mundo. Podemos entender melhor o que Buda quis dizer com isso, se nos lembrarmos de quantas pessoas estão insatisfeitas com as tarefas que lhes cabem, acreditando que alguma outra posição seria mais vantajosa. Mas um homem deve ser capaz de derivar da situação em que nasceu ou em que o destino o colocou, o melhor que for possível, ou seja, para adquirir a "ocupação" ou "vocação" certa. Quem não encontra satisfação na situação em que se encontra, não será capaz de derivar dela o poder de desenvolver atividades corretas no mundo. Isso é o que Buda chamou de vocação correta.
- O sexto princípio é que um homem deve fazer esforços crescentes para assegurar que o que ele adquire por meio de pontos de vista corretos, julgamento correto e assim por diante, se torne um hábito nele. Ele nasceu no mundo com certos hábitos. Uma criança dá provas desta ou daquela inclinação ou hábito. Mas os esforços do homem devem ser direcionados, não para reter os hábitos, procedendo do Samskara, mas para adquirir aqueles que gradualmente se tornam seus como resultado de pontos de vista corretos, julgamento correto, linguagem correta e assim por diante. Esses são os hábitos corretos.
- O sétimo princípio é que o homem deve trazer ordem à sua vida, não se esquecendo invariavelmente de ontem quando deve agir hoje. Ele nunca realizaria nada se tivesse que aprender suas habilidades de novo a cada vez. Ele deve se esforçar para desenvolver o recolhimento, a atenção plena em relação a tudo em sua vida. Ele deve sempre recorrer ao que já aprendeu, deve ligar o presente ao passado. Assim, ao longo do Caminho Óctuplo, o homem deve adquirir plena atenção plena no sentido dos ensinamentos de Buda.
- A oitava qualidade é adquirida quando, sem parcialidade por uma visão ou outra e sem ser influenciado por nenhum elemento remanescente nele de encarnações anteriores, ele se entrega com devoção pura às coisas do mundo, imerge nelas e as deixa falar sozinhas. para ele. Esta é a contemplação correta."
Rudolf Steiner - GA 114

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