terça-feira, 9 de agosto de 2011

A RETRIBUIÇÃO

"Pedro disse-lhe: e nós que deixamos tudo e te seguimos que
receberemos?" - (MATEUS. 19:27).
A pergunta do apóstolo exprime a atitude de muitos corações nos
templos religiosos.
Consagra-se o homem a determinado círculo de fé e clama, de
imediato: - "Que receberei?"
A resposta, porém, se derrama silenciosa, através da própria vida.
Que recebe o grão maduro, após a colheita?
O triturador que o ajuda a purificar-se.
Que prêmio se reserva à farinha alva e nobre?
O fermento que a transforma para a utilidade geral.
Que privilégio caracteriza o pão, depois do forno?
A graça de servir.
Não se formam cristãos para adornos vivos do mundo e sim para a
ação regeneradora e santificante da existência.
Outrora, os servidores da realeza humana recebiam o espólio dos
vencidos e, com eles, se rodeavam de gratificações de natureza
física, com as quais abreviavam a própria morte.
Em Cristo, contudo, o quadro é diverso.
Vencemos, em’ companhia dele, para nos fazermos irmãos de
quantos nos partilham a experiência, guardando a obrigação de
ampará-los e ser-lhes úteis.
Simão Pedro, que desejou saber qual lhe seria a recompensa pela
adesão à Boa Nova, viu, de perto, a necessidade da renúncia. Quanto
mais se lhe acendrou a fé, maiores testemunhos de amor à
Humanidade lhe foram requeridos. Quanto mais conhecimento
adquiriu, a mais ampla caridade foi constrangido, até o sacrifício
extremo.
Se deixaste, pois, por devoção a Jesus, os laços que te prendiam às
zonas inferiores da vida, recorda que, por felicidade tua, recebeste do
Céu a honra de ajudar, a prerrogativa de entender e a glória de
servir.