sábado, 26 de novembro de 2011

Lutero

Após quase ser atingido por um raio, Martim Lutero (Joseph Fiennes) acredita ter recebido um chamado. Ele se junta ao monastério, mas logo fica atormentado com as práticas adotadas pela Igreja Católica na época. Após pregar em uma igreja suas 95 teses, Lutero passa a ser perseguido. Pressionado para que se redima publicamente, Lutero se recusa a negar suas teses e desafia a Igreja Católica a provar que elas estejam erradas e contradigam o que prega a Bíblia. Excomungado, Lutero foge e inicia sua batalha para mostrar que seus ideais estão corretos e que eles permitem o acesso de todas as pessoas a Deus.
Lutero, certamente, deu a teologia necessária para que acontecesse a revolução na Alemanha. Mas o Império germânico, agora espanhol, continuou a tentar esmagar os “hereges” ou revolucionários alemães numa guerra que se arrastou com o Imperador Carlos V e seus sucessores, a partir de seu filho, Felipe II. Tanto luteranos quanto fiéis à Igreja de Roma foram queimados em fogueiras. A igreja alemã ficou profundamente dividida. O filme quis apresentar que Lutero dividia o mundo.
Lutero detonou a Igreja e, conseqüentemente, a sociedade na Alemanha e suas idéias tomaram novas formas na Inglaterra, Suíça, também criaram problemas na França, atingiram os paises nórdicos... Depois foram exportadas para o novo Mundo.
Lutero marcou o começo do fim de uma época e de um Império, de um modo de entender o mundo e a sociedade. Lutero começou como Francisco de Assis, querendo reformar a Igreja, pela volta a Jesus e ao Evangelho. Mas os tempos eram outros. Eram tempos de Renascimento cultural e artístico, do começo das ciências empíricas, da transformação das cidades em urbes comerciais e da incipiente burguesia enriquecida pelo comércio. Com as viagens intercontinentais inauguradas por Colombo, o comércio internacional tomava novas formas e o ouro do novo mundo proporcionava a riqueza suficiente para manter as guerras no centro europeu.
O Concílio de Trento quis fazer a reforma da Igreja e, com ela, a divisão das igrejas tomou nova forma.
De repente, aconteceu o desmoronamento da sociedade medieval, num processo doloroso que desembocaria na revolução francesa, com os ideais da liberdade, igualdade e fraternidade. No fim levou, com montes de reticências históricas, à separação definitiva de Igreja e Estado, em evidente benefício para a Igreja que recuperou sua liberdade, hipotecada secularmente aos interesses dos Estados.
Hoje, a doutrina da justificação pela fé, que foi o motivo doutrinal de Lutero para a ruptura com Roma, tem uma aceitação conjunta dos teólogos tanto luteranos quanto católicos. As diversas traduções da Bíblia às línguas vernáculas são um fato. Inclusive há traduções feitas por católicos, judeus, protestantes conjuntamente e aceitas por todos.
As Igrejas tanto a católica quanto a luterana e a anglicana, entre outras, nascidas da reforma, estão à procura da unidade e da comunhão perdidas. A razão de ser da reforma protestante, praticamente, se perdeu no espaço e no tempo. Hoje é, mais uma vez, na Alemanha que tanto católicos quanto luteranos estão à procura da unidade eclesial.
Uma coisa é certa: que a palavra de Jesus, feita prece, não cai no vazio. E Jesus orou: “Pai: que todos sejam um como tu e eu somos um. Que eles sejam perfeitos na unidade, para que o mundo creia”.
Título Original: Luther
Gênero: Drama
Direção: Eric Till
Atores: Joseph Fiennes, Alfred Molina, Bruno Ganz, Jonathan Firth
Tempo: 112 min.
Lançamento: 2003