segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Filhos:Galhos Verdes

A partir do nascimento, suas idéias retomam gradualmente
impulso, à medida que se desenvolvem os órgãos...”
“... Durante o tempo em que seus instintos dormitam, ele é mais
flexível e, por isso mesmo, mais acessível às impressões que podem
modificar sua natureza e fazê-lo progredir...”

Quando crianças, somos como uma “argila frágil” ou mesmo como um
galho verde prontos para ser modelados ou direcionados pelos nossos pais,
que têm por missão desenvolver nossos potenciais como uma de suas
principais tarefas. Grande parte de nossas percepções e reações emocionais
foram internalizadas em razão da influência dos adultos à nossa volta. Desde o
nascimento, somos todos extremamente sensíveis ao ambiente em que
vivemos; por isso, os adultos devem meditar sobre as posturas que irão tomar
em relação às crianças, pois terão grave importância em seu desenvolvimento
futuro.
Determinados atos no ambiente familiar podem “melhorar” e “desenvolver”,
ou “deteriorar” e “inibir” a organização psicoespiritual da personalidade infantil.
Um ponto básico para compreensão e aceitação dos conceitos de
educação em profundidade é o fato de que as crianças, no início de seu
desenvolvimento, são “forçadas” a aceitar as regras dos pais, que se
esquecem de que os filhos não são “livros em branco”, mas almas antigas que
carregam consigo enorme bagagem de experiências em seu “curriculum”
espiritual.
Cada criança é um mundo à parte. Embora existam necessidades
generalizadas para todas, também a individualidade de cada uma deve ser
respeitada, pois os filhos, mesmo de uma só família, são diferentes entre si,
inclusive os gêmeos umvitelinos.
Impraticável tentar vestir mãos diferentes com a mesma luva ou
enquadrar todas as crianças em igual padrão educativo.
Não se podem determinar modelos, receitas e atitudes absolutamente
fixas e rígidas.
Aceita-se com flexibilidade que cada criança terá sua importância à
medida que desenvolve sua personalidade.
Todas as crianças gostam e necessitam de correr, de brincai; de
estudar, de comer e de ser educadas convenientemente, mas cada uma terá
características peculiares e não poderá correr, brincar, estudar e comer como
as outras, nos mesmos moldes ou figurinos.
Um outro ponto importante é que, em muitas circunstâncias, as reações
educativas dos pais não atendem basicamente às necessidades dos filhos,
porém às deles mesmos. Inconsciente-mente, tentam educá-los através das
projeções de seus conflitos, frustrações e problemas pessoais, nunca atingindo
uma dinâmica profunda e direcionada às reais necessidades dos filhos. Certos
adultos vivem suas dificuldades interiores na vida da criança, tentando resolver
seus problemas nos problemas infantis, sentindo-se destroçados ou vitoriosos
conforme as derrotas e os triunfos dos filhos. O resultado disso tudo será uma

pessoa atingindo a maioridade completamente desconectada de suas
realidades e profundamente desorientada.
Um fato a destacar éo sofrimento dos filhos em razão de constantes
atitudes inibitórias provocadas por adultos que se comportam com excessivo
controle e zelo. Impedem que as crianças expressem gestos e raciocínios
espontâneos, bem como a sua forma de ser.
Desencorajam-nas a promover suas idéias inatas, desestimulam-lhes as
vocações naturais, alteram-lhes as atividades para as quais teriam toda uma
habilidade instintiva e faculdades apropriadas e impedem o desenvolvimento
de sua própria índole, prejudicando-as.
Portanto, deveremos ser cuidadosos na análise de nossas influências
paternais junto aos filhos, porque em “nome da missão” ou da “educação filial”
não nos é licito forçar ou distorcer os “galhos verdes”, impondo-lhes opiniões e
decisões e deixando de proporcionar-lhes gradativamente o hábito das próprias
escolhas. Superprotegidos contra os erros, defendidos dos problemas e
dificuldades, vemo-los crescendo à sombra dos pais, indecisos até sobre a
mais simples opção, numa situação de dependência e apego que se prolonga,
em muitos casos, durante toda a encarnação e também, por que não, nas
futuras.
“A partir do nascimento, suas idéias retomam gradualmente impulso, à
medida que se desenvolvem os órgãos”, (1) e as crianças vão adquirindo uma
maior possibilidade de se expressar como realmente são. A partir daí, devem
ser educadas de forma coerente com seu caráter instintivo e traços de
personalidade - fruto dos conhecimentos que adquiriram nas existências
anteriores.
Nunca porém nos padrões da coerção, da exigência, da comparação, da
crítica constante ou da superproteção - fatores de insegurança e de desajustes
psicológicos profundos.
Pais generosos, de espírito totalmente isento de crítica destrutiva,
aproximam-se das crianças com o objetivo real de lapidá-las num clima
constante de muito amor e compreensão, jamais se esquecendo de que elas
não são suas, mas “almas eternas” em estágio temporário no recinto de nosso
lar. São criaturas de Deus a caminho da luz.

Renovando Atitudes/FCX