quarta-feira, 2 de maio de 2012

OFENSAS E OFENSORES

Tão logo apareçam diante de nós quaisquer problemas de injúria, prejuízo,
discórdia ou incompreensão, é imperioso observar quão importante para o espírito é o
estudo das próprias reações, a fim de que a mágua não entre em condomínio com as
forças que nos habitam a mente.
Ressentir-nos é cortar nos tecidos da própria alma ou acomodar-nos com o
veneno que se nos atira, acalentando sofrimento desnecessário ou atraindo a presença
da morte. Isso porque, à face da lógica, todas as desvantagens no capítulo das ofensas
pesam naqueles que tornam a iniciativa do mal.
O ofensor pode ser a criatura que está sob lastimáveis processos obsessivos,
que carrega enfermidades ocultas, que age ao impulso de tremendos enganos, que
atravessa a nuvem do chamado momento infeliz, e, quando assim não seja, é alguém
que traz a visão espiritual enevoada pela poeira da ignorância, o que, no mundo, é uma
infelicidade como qualquer outra. Cabem, ainda, ao ofensor o pesadelo do
arrependimento, o desgosto íntimo, o anseio de reequilíbrio e a frustração agravada pela
certeza de haver lesado espiritualmente a si próprio.
Aos corações ofendidos resta unicamente um perigo – o perigo do
ressentimento, que aliás, não tem a menor significação quando trazemos a consciência
pacificada no dever cumprido.
Entendendo isso, nunca respondas ao mal com o mal.
Considera que os ofensores são, quase sempre, companheiros obsessos ou
desorientados, enfermos ou francamente infelizes, a quem não podemos atribuir
responsabilidades maiores pelas condições difíceis em que se encontram.
Recomendou-nos Jesus: “Amai os vossos inimigos”.
A nosso ver, semelhante instrução, além de impelir-nos à virtude da tolerância,
faz-nos sentir que os ofendidos devem acautelar-se, usando a armadura do amor e da
paciência, a fim de que não sofram os golpes do ressentimento, de vez que os ofensores
já carregam consigo o fogo do remorso e o fel da reprovação.

Alma e Coração/Emmanuel/FCX