quarta-feira, 18 de abril de 2012

NÃO SOMOS EXCEÇÕES

Quando sofras alfinetadas morais no mundo, não te permitas, por isso, cair no
labirinto das grandes complicações.
Forçoso que a mínima brecha no carro ou na embarcação receba reparos
imediatos se o viajante não deseja arriscar-se.
Nos comprometimentos do corpo, esmera-te no uso de remédios, ginásticas,
dietas, cirurgias; nos males da alma, não te curarás ao preço de expectação. Urge
empregar observações, decisões, normas, estudos.
Quando a ansiedade ou aflição te visitem, analisa a ti mesmo, delibera quanto
ao que devas fazer para evitar desequilíbrio e conturbação, assume a responsabilidade da
própria disciplina e inspeciona o campo de ação em que te movimentas.
Sem dúvida, necessitas de refazimento e conforto; no entanto, em favor do
próprio reajuste, aprende a reconhecer que, em matéria de sofrimento, não constituis
exceção.
Reflete naqueles que carregam fardos mais pesados que os teus. Os que
desejam andar como naturalmente caminhas e jazem atarraxados em leitos imóveis; os
que anseiam ver como enxergas e tateiam na sombra; os que te contemplam a mesa
farta, sem recursos de usufruí-la; e os que estimariam compartilhar-te a segurança
íntima e suportam a cabeça esfogueada pelas chamas invisíveis da obsessão.
Fita a vanguarda dos que se te fizeram superiores, a fim de que te animes à
subida espiritual; todavia, não desfites a retaguarda para que te reconfortes nos valores
já conquistados e que podes claramente distribuir, a benefício dos outros.
Sofre, aprendendo, e eleva-te, auxiliando. Este, o programa do educandário da
vida em si, porquanto seja na ascensão ou no resgate, aperfeiçoando ou ressarcindo, a
lei das provas é o agente aferidor do merecimento de cada um, sem criar privilégios ou
favores, clandestinidades ou exceções para ninguém.

Emmanuel/Alma e Coração/FCX