sábado, 15 de setembro de 2012

ERRATICIDADE

Que se torna a Alma nos intervalos das encarnações?
- Espírito errante que aspira um novo destino e espera.
(“O livro dos Espíritos”, questão nº 224)

Nas dimensões extrafísicas existem um sem-número de colônias
espirituais, fundadas e povoadas pelos espíritos que as habitam,
semelhantemente ao que acontece com as comunidades dos homens
sobre a Terra.
Contudo, assim como igualmente existe no mundo o que, do ponto
de vista social, vivem em condições sub-humanas, nos deparamos
com os andarilhos da espiritualidade, os chamados espíritos errantes
que se movimentam ao sabor das circunstâncias.
Não interpretemos, pois, Erraticidade, como sendo o espaço além
da morte destinado a todos os que deixaram o corpo; antes,
interpretemo-la como sendo as mais diversas regiões espirituais
concêntricas, vizinhas do orbe, que lhe constituem os umbrais de
acesso às dimensões onde a vida se organiza.
Nem todos os espíritos, quando deixam o corpo físico, logram
situar-se com segurança no mais além; a maioria não se afasta dos
objetivos de seus interesses imediatos sobre a Terra; muitos deles
chegam a se induzirem a uma nova existência material sem
conhecimento de causa.
Apenas os espíritos algo esclarecidos desponta para a questão
fundamental do aproveitamento do tempo, em suas experiências no
corpo e fora dele.
Os espíritos emergem gradativamente da sombra para a luz;
assim, quando mais vivem nos porões da individualidade, a
vaguearem nas zonas do inconsciente, menos acessa à verdade.
Realizar o reino de Deus significa crescer dentro de si ascendendo
ao superconsciente, degrau a degrau, os óbices da imperfeição.
O espírito pode permanecer estacionário, por um tempo mais ou
menos longo.
Se não há quem ou o que o motive a sair do lugar, não se arrancará
de iniciativa própria, do comodismo com facilidade; a sua
participação mais ou menos consciente no processo da evolução que
lhe diz respeito já é considerável conquista.
Ao contrário daquilo a que aspiram, ao deixarem o corpo, a nãoreencarnação,
como se a vida no mundo não lhe fosse indispensável
instrumento de progresso, os espíritos nas esferas superiores,
compreendem a sua necessidade quase imediata de um novo
estágio reencarnatório, pleiteando-o sem perda de tempo.
É evidente que no plano espiritual, nas obrigações das quais não
se isentam, é possível efetuar importantes conquistas, todavia, para
que o aprendizado se fixe de maneira definitiva nos escaninhos do
ser, torna-se-lhe indispensável voltar ao antigo campo de luta onde
faliu. É como o atleta que treine exaustivamente para depois,
mostrar o seu valor, ostentando os louros de vitória.
Circundando a Terra, a Erraticidade é, pois, digamos, um cinturão
mais ou menos extenso, ocupados pelos desencarnados que vivem
na periferia espiritual do planeta – Faixa contínua que ultrapassa
as fronteiras ideológicas, comum a todos os céus, retendo
gravitacionalmente aqueles que serão à bênção do recomeço, por
incapacidade de romperem com os liames que os escravizam à
retaguarda.