quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Desbravando mistérios

“E não Jesus disse estas palavras: Eu vos rendo glória, meu Pai,
Senhor do Céu e da Terra, por haverdes ocultado essas coisas aos sábios
e aos prudentes, e por as haver revelado aos simples e aos pequenos.”
(Capítulo 7, item 7.)
Vaie considerar que, quando Jesus afirmou que Deus havia ocultado os
mistéiios aos sábios e aos prudentes e os tinha revelado aos simples e
pequenos, em verdade observava que certos homens de cultura e
intelectualidade achavam-se perfeitos eruditos, não precisando de mais nada
além do seu cabedal de instrução.
Por sua vez, orgulhosos porque retinham vários títulos, acreditavam-se
superiores e melhores que os outros, fechando assim as comportas da alma às
fontes inspirativas e intuitivas do plano espiritual.
Porém, os “pequenos e simples”, aos quais se reportava o Mestre, são
aqueles outros que, devido à posição flexível em face da vida, descortinam
novas idéias e conceitos, absorvendo descobertas e pesquisas de todo teor,
selecionando as produtivas, para o seu próprio mundo mental. Por não serem
ortodoxos, ou sej a, conservadores intransigentes, e sim afeiçoados à reflexão
constante das leis eternas e ao exercício da fé raciocinada, reúnem melhores
condições de observar a vida com os “olhos de ver”.
São conhecidos pela “maturidade evolutiva”, que é avaliada levando-se
em conta seus comportamentos nos mais variados níveis de realização, entre
diversos setores (físico, mental, emocional, social e espiritual) da existência
humana.
Pelo modo como agem e como se comportam diante de problemas e
dificuldades, “os pequenos e os simples” têm uma noção exata de sua própria
maturidade espiritual. Além disso, sentem uma sensação enorme de
serenidade e paz pela capacidade, pela eficiência e pelos atributos pessoais, e
por se comportarem dentro do que esperavam de si mesmos.
Simples são os descomplicados, os que não se deixam envolver por
métodos extravagantes, supostamente científicos, e por critérios de análise
rígida. Simples são os que sempre usam a lógica e o bom senso, que nascem
da voz do coração.
São aqueles que não entronizam sua personalidade megalomaníaca
atrás de mesas douradas e que não penduram pergaminhos para a
demonstração pública de exaltação do próprio ego.
Os “sábios” a quem o Senhor se referia eram os dominadores e
controladores da mente humana, que desempenhavam papéis sociais, usando
máscaras diversas segundo as situações convenientes. Estão a nossa volta:
são criaturas sem originalidade e criatividade, porque não auscultam as
vibrações uníssonas que descem do Mais Alto sobre as almas da Terra.
Não suportam a mais leve crítica - mesmo quando construtiva - de seus
atos, feitos, raciocínios e ideais; por isso, deixam de analisá-la para comprovar
ou não sua validade. Por se considerarem “donos da verdade”, reagem e se
irritam, esquecendo-se de que esses comentários poderiam, em alguns casos,
proporcionar-lhes melhores reflexões com ampliação da consciência.
Vale considerar que esses “sábios” não se lançam em novas amizades e
afeições, pois conservam atitudes preconceituosas de classe social, de cor, de
religião e de outras tantas, amarrando-se aos exclusivismos egoísticos.
Não obstante, o Mestre Jesus se reportava às luzes dos céus, que
agilizariam os simples a pensar com mais lucidez, a se expressar com maior
naturalidade, para que pudessem desbravar os mistérios do amor e das
verdades espirituais, transformando-se no futuro nos reais missionários das leis
eternas.
“Simples” são os espontâneos, porque abandonaram a hipocrisia e
aprenderam a se desligar quando preciso do mundo externo, a fim de deixar
fluir amplamente no seu mundo interior as correntezas da luz; são todos
aqueles que prestam atenção no “Deus em si” e entram em contato com Ele e
consigo mesmo; são, enfim, aqueles que já se permitem escutar sua fonte
interior de inspiração e, ao mesmo tempo, confiar nela plenamente.