domingo, 14 de outubro de 2012

TRABALHO E NECESSIDADE

A necessidade do trabalho é uma lei da natureza?
- O trabalho é uma lei da natureza e por isso mesmo uma necessidade. A
civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque aumenta as suas
necessidades e os seus prazeres.
(“O Livro dos Espíritos” questão nº674)


Não resta dúvida de que as necessidades supérfluas acabam por
absorver o homem, induzindo-o a um trabalho material mais
intenso para satisfazê-las. Se de um lado, se semelhante ocupação
lhe permite um maior progresso das faculdades intelectuais, de
outro pode constituir-se-lhe um entrave no desenvolvimento moral.
O desafio para o homem, nas suas atividades materiais que lhe
são indispensáveis á sobrevivência, é o de harmonizá-las com os
interesses do espírito, ou seja: o transitório não deve causar prejuízo
ao que é imutável.
O objetivo do trabalho exterior, através do qual a criatura
colabora com o Criador no aperfeiçoamento de sua obra, é fazer
com que o espírito desenvolva as suas possibilidades latentes. Assim
é que, por exemplo, a ambição serve a ocultos propósitos da lei –
exacerbando, o sentimento de posse desaloja o homem do
comodismo e sobreexcita-lhe a imaginação, fazendo-lhe sempre
pensar em termos de ter mais.
Quando evidentemente extrapola na violência e na
criminalidade, na injustiça social e na corrupção, o homem se
complica e se submete às conseqüências do karma, gerando
situações que, por sua livre escolha, haverão de se lhe impor a
necessidade de reajuste.
Nenhuma experiência, no entanto, se perde; o mal é apenas
aparente, porquanto ele próprio se transforma em instrumento de
corrigenda que, aos poucos conduz os homens aos inevitáveis
caminhos do bem.
Vive-se, no entanto, na atualidade terrestre, um momento difícil
para o espírito que anseia pela posse de si mesmo. Estreitamente
vinculado aos costumes da civilização e padecendo a influência do
meio em que vive, custam-lhe romper as cadeias que o prendem ao
imediatismo, conquistando espaço mental para as reflexões que lhe
são imprescindíveis.
No futuro o homem há de avaliar, o seu excessivo envolvimento
material – Envolvimento que não raro, o leva a passar uma
existência inteira sem cogitar de sua essência, como se, além de
encarnado num corpo físico, o espírito vivesse soterrado sob o peso
de montanhas imaginárias...
Os espíritos da codificação disseram a Allan Kardec que “toda a
ocupação útil é um trabalho.” Neste sentido, o ideal é que a criatura
encarnada não aspirasse mais do que o necessário para viver, no
melhor aproveitamento de tempo, esmerando-se em trabalhar os
próprios sentimentos e dedicando maior atenção às conquistas
morais que, infelizmente permanecem relegadas a plano
secundário.
Vive-se numa época do ter mais e não do ser mais... Porém tudo
que extrapola tende a voltar ao ponto de equilíbrio. É assim que a
evolução se processa: Causas gerando efeitos e efeitos remontando
às causas, em ciclos ininterruptos e constantes...
De qualquer modo, sem agir, ninguém avança; a inutilidade e a
indiferença se opõem frontalmente á lei do trabalho, que fomenta o
progresso... Os que se negam à ação periodicamente são visitados
pelo sofrimento que os arranca ao comodismo e os constrange a
caminhar.